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Este hotel é fantástico,
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Este hotel é fantástico e a comida era extraordinária.
Família Oliveira Pinto - 3 Abril 2010

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Beleza defensiva

No Alentejo, antigamente explorado pelos latifundiários, o ambiente ainda tem um vestígio de melancolia. Os habitantes da região têm conservado as suas particularidades.

Silêncio, silêncio profundo. Nenhum barulho, nada mexe, excepto uma ligeira aragem, que brinca com as folhas das árvores. O crepusculo espalha-se nas colinas e pastagens. Detrás das ruínas do castelo de Noudar o sol torna-se cor-de-laranja. Anoitecer no parque natural de Noudar perto de Barrancos, um distrito isolado na fronteira com Espanha, um lugar que parece ser o mais solitario do mundo. Há tres anos, a área, onde se juntam Murtiga e Ardila foi declarada zona protegida, um tipo de reparação dos danos ecológicos da barragem de Alqueva. O maior lago artificial da Europa destruiu fauna e flora no leito do rio Guadiana e a aldeia da Luz. A gigante reserva de água está destinada a irrigar os campos secos do Alentejo, onde as temperaturas atingem 40 ° e mais no verao. Mas a utilidade da construção, fortemente subvencionada por Bruxelas para uma região muito pouco povoada, é discutida desde o seu inicio. A Herdade da Coitadinha, recuperada e sede do Parque Natural de Noudar parece estar vazia hoje. Os ciclistas e caminhantes, os observadores da natureza, as turmas de crianças que ajudam na horta, hoje não estao cá, nem os porcos pretos que durante o inverno comem as bolotas das azinheiras e fornecem o presunto, que faz brilhar os olhos de todo gourmet.

Um pouco mais de 2 horas a leste de Lisboa começa a terra “alem do Tejo” com colinas suaves, montados, campos de cereais, pastagens de cabras e vinha. É uma beleza um pouco áspera, é Portugal com uma nota ligeiramente melancólica. Na primavera espalham-se tapetes de flores, depois do calor do verão, a terra veste-se de castanho, ocre, cinzento-amarelo em matizes sempre variáveis. E por todos os lados o vermelho-ferrugem dos sobreiros descortiçados. Os números nos troncos indicam o ano de descortiçamento e depois é preciso esperar mais quase uma década para que a casca se restabeleça. O descortiçamento faz-se ainda à mão. Na produção de revestimentos e isolamentos de cortiça e de rolhas, Portugal é o número 1 mundial.

Durante séculos latifundiarios caracterizaram o Alentejo. Donos poderosos obrigaram os camponeses a trabalhar por renumerações miseráveis. Jose Saramago descreve esta situação muito bem no romance “Levantado do Chão”. Acabou só em 1974 com a revolução dos cravos. Cooperativas geriram a provincia, depois uma parte das terras foi devolvida aos antigos donos. Mas a agricultura no Alentejo nunca se desenvolveu realmente.

Manuel Agudo dos Santos faz parte dos ancianos que podem contar o passado. Mora em Barrancos, aldeia típica alentejana com casas brancas e janelas e portas com os contornos em azul: “Aos 13 anos trabalhei no campo duma herdade,” conta o velhote de 84 anos. “Em Espanha houve a guerra civil, foram anos dificeis para nos.” Os adversários de Franco refugiram-se da Extremadura através do rio Ardila, que era a fronteira com Portugal. “ Os soldados espanhois perseguiram-nos mesmo no território português, e sempre se ouviram tiros”. Como muitos habitantes na aldeia, a sua família deixou as portas abertas da noite para os refugiados.

Quem se escondesse na montanha era alimentado clandestinamente. “Eram os nossos vizinhos, tão pobres como nos. Era normal que ajudássemos.” Até hoje os Barranquenhos são considerados meio espanhois. Têm uma lingua diferente, praticam a tourada espanhola, proibida em Portugal, e finalmente legalizada em 2002, mas só para Barrancos.

A região conhecia poucos tempos pacíficos. Durante a reconquista houve lutas contra os mouros, depois contra o vizinho a leste. As brigas permanentes tranformaram algumas aldeias na fronteira em verdadeiras fortalezas, muitas vezes com acesso difícil, sempre prontas a defender-se. As fortificações de Elvas são impressionantes, um conjuntos de muralhas, torres, duas fortalezas adicionais, parece um gigantesco museu ao ar livre. As fortificações bem conservadas candidatam-se para ser Património Mundial da UNESCO.

Marvão também é fortificado, situa-sa no norte do Alentejo que é mais verde e mais montanhoso do que o resto da região. Fica como um ninho sobre uma montanha rochosa de 900 m de altitude, as casas e muralhas do castelo parecem crescer da rocha. Há uma vista fantástica para a Serra de Sao Mamede. “Quando as águias passam, podemos ve-las de costas,” diz Renato Neves, ornitologo de Lisboa. Está fascinado pela natureza desta parte do Portugal e volta regularmente para documentar a beleza, mas também a solidão desta região.

Castelo de Vide parece fora do tempo: ruas estreitinhas logo abaixo do castelo com flores e mulheres sentadas nas escadas na judiaria. A sinagoga é um pequeno museu hoje em dia. Renato Neves descobre símbolos cristãos e judaicos nas fachadas das casas. Os judeus foram obrigados a converter-se e mostrar que eram bons cristãos. Mas em Castelo de Vide há muitas casas para vender. “E patrimonio histórico precioso”, diz Renato Neves. “mas não há esforço suficiente para conserva-lo.”

Alguns pilares deste lado, alguns em ruínas noutro lado: A antiga ponte do Guadiana perto de Juromenha é o simbolo mais visível da disputa entre Portugal e Espanha. Esta história não corresponde à Europa de hoje. A pequena cidade de Olivença (espanol: Olivenza) fica depois de mudar varias vezes de nacionalidade, nas mãos dos espanhois, desde 1801. Segundo os portugueses, a cidade e as terras à volta fazem parte de Portugal, porque o Congresso de Viena obrigou os espanhois a devolver este território. Todos respeitam o status quo, mas alguns portugueses muito nacionalistas sentem uma pequena dor acerca desta situação. “Mas niguém deles quer voltar para Portugal”, diz Renato Neves. “Muitos nem sabem que na realidade são portugueses.” Quem atravesse a nova ponte e vá à cidade “ocupada” encontra vestigios do passado português por todos os lados: gótico portugues na igreja Santa Maria Magdalena, azulejos na Santa Casa de Misericórdia, o brasão manuelino na Camara municipal. Mas quando a cidade desperta da siesta, a vida nas ruas e praças parece bem espanhola.

Informações praticas:

Como chegar: Voos directos TAP (Air Portugal), Lufthansa, Air Berlin, Germanwings und Tuifly para Lisboa, depois carro alugado.

Alojamento: Herdade da Coitadinha, Parque de Natureza de Noudar, Apartado 5, 7230-909 Barrancos, Tel. 00351/285 95 00 00, Fax 285 95 00 01, cuartos a partir de 50 Euro. Albergaria O Poejo, Avenida 25 de Abril 20, 7330-251 Santo Antonio das Areias, Tel. 00351/245 99 26 40, Fax 245 99 25 00, cuartos a partir de 80 Euro.

Restaurantes: Restaurant Tomba Lobos, Bairro Pedra Basta Lt 16 r/c, 7300-529 Reguengo/Portalegre (boa cozinha regional).

Informaçao: Turismo do Alentejo, Av. Jorge Nunes, Lote 1 r/c Esq., 7570-113 Grandola, Tel. 00351/269 49 86 80, Fax 269 49 86 87.

Internet: www.visitalentejo.com, www.parquenoudar.com, www.a-opoejo.com

Rheinischer Merkur - Ursula Els
11 de Marzo 2010

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